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Polícia Civil pede internação provisória de sargento acusado de matar mecânico em Betim

30/07/2026

10:55

Glauber Junio

A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte do mecânico Carlos Alberto dos Santos, conhecido como Gaiola, de 61 anos, e solicitou à Justiça a internação provisória do terceiro-sargento reformado da Marinha Guilherme Augusto Rodrigues Martins, de 34 anos.

Guilherme foi indiciado por homicídio qualificado, mediante recurso que teria dificultado a defesa da vítima, e por porte ilegal de arma de fogo. A mãe dele, Joselí Rodrigues Nascimento, de 54 anos, também foi indiciada por suposta omissão, por ser a curadora legal do filho. 

O crime aconteceu no dia 14 de julho, no Condomínio Saraiva, na região do bairro Quintas do Godoy, em Betim. Segundo a investigação, imagens de câmeras de segurança contradizem a versão apresentada pelo suspeito, que afirmou ter agido em legítima defesa após ser atacado com uma faca.

De acordo com o delegado Otávio Luiz de Carvalho, responsável pelo caso, as gravações mostram que Gaiola ainda estava dentro do carro quando foi abordado pelo investigado. Guilherme teria dado um soco no rosto da vítima e, após uma breve luta corporal, sacado um revólver calibre 22 e efetuado cinco disparos. Três tiros atingiram o mecânico, que chegou a ser levado para o Hospital Regional de Betim, mas não resistiu. 

A Polícia Civil informou ainda que encontrou três boletins de ocorrência registrados por Gaiola contra o investigado. Testemunhas relataram que o sargento reformado vinha ameaçando e intimidando moradores do condomínio havia meses, além de circular pelo local portando objetos como foice e machadinha.

Entre os episódios investigados estão invasões à residência do mecânico, danos no muro e no portão eletrônico, destruição de uma plantação e ameaças. O investigado também teria atirado contra o cachorro de outro vizinho, que precisou ter uma das patas amputadas. 

Conforme a Polícia Civil, Guilherme já havia cometido outro homicídio, em 2014, no Distrito Federal. Na ocasião, ele matou um homem com golpes de espada dentro de um ônibus. Posteriormente, foi considerado inimputável pela Justiça em razão de transtorno mental e submetido a uma medida de segurança. 

O sargento reformado também foi interditado judicialmente em 2021, após uma ação apresentada pela mãe. Apesar disso, segundo o delegado, a defesa não apresentou durante o inquérito atual um laudo médico comprovando o diagnóstico de esquizofrenia. A condição deverá ser avaliada por meio de exame de insanidade mental determinado pela Justiça.

Mesmo sem a apresentação do documento durante a investigação, a Polícia Civil pediu a internação provisória do indiciado em uma unidade psiquiátrica, alegando que ele representa risco à sociedade.

Atualmente, Guilherme está preso preventivamente em uma unidade da Marinha no Rio de Janeiro, já que Minas Gerais não possui instalações adequadas para a custódia de militares da instituição.

A mãe do investigado foi indiciada porque, segundo a Polícia Civil, tinha conhecimento do histórico de violência do filho, sabia que ele possuía uma arma de fogo e que estaria ameaçando moradores, mas não teria tomado providências para impedir novas agressões ou comunicado os fatos às autoridades.

Ela responderá ao processo em liberdade. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário, que deverá analisar o pedido de internação provisória e as demais medidas solicitadas pela Polícia Civil.

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